Voando com Bitcoins

Voando com Bitcoins

Março 26, 2015 0 Por Gonçalo Mendes

Paulatinamente, as criptomoedas, em especial o Bitcoin, vão obrigando o sistema económico a tê-lo em conta. A força da sua tecnologia é tão grande que é impossível ignorá-lo. Há já cerca de um mês, a UATP, uma rede de pagamentos para companhias aéreas anunciou que estava a formar uma parceria com a Bitnet, uma plataforma de processamento de Bitcoin, para oferecer a 260 das maiores companhias aéreas do mundo a opção de aceitar a moeda para reservas de voos.
As empresas que utilizam a rede UATP fornecem cerca de 95% da capacidade global das companhias aéreas, contando nas suas fileiras marcas globais como a British Airways, Lufthansa, Delta Air Lines e Southwest Airlines. A empresa também trabalha com 130.000 agências de viagens, além de grandes operadores ferroviários como a Amtrak.
Nenhum desses parceiros, é preciso registar, disse que vai adicionar um botão “Pague com Bitcoin” no seu site. Mas o potencial para que isso aconteça é muito elevado.
Para aqueles que ainda batem suas cabeças com a menção de Bitcoin, uma rápida introdução deve ser suficiente.

Utilizando o Bitcoin

Os sistemas de pagamento tradicionais, como cartões de crédito, transferências bancárias, PayPal e assim por diante, funcionam de forma razoavelmente bem, mas são caros, lentos e vulneráveis à fraude. O que o dinheiro digital vem acrescentar é a implementação de um sistema de pagamentos computador a computador, através da internet, sem intermediários através de algoritmos criptográficos e códigos secretos invioláveis.
A chave para a massificação desta tecnologia, que está longe de ter a aceitação pretendida, está na redução substancial das taxas bancárias e na segurança e rapidez das transações.
Os principais problemas colocam-se perante a volatilidade atual das moedas que não garantem a estabilidade de preços.
Qualquer empresa consciente do peso dos seus custos gostaria de receber taxas de transação mais baixas e as companhias aéreas encontram-se na primeira linha. Mesmo nos anos relativamente bons, a indústria recebe apenas uma margem de lucro média de um ou dois por cento.
A natureza das viagens internacionais também significa que as transações em moeda estrangeira são comuns. Uma ferramenta de pagamento única de aceitação global tornaria a vida mais simples para as companhias aéreas e passageiros.
Em regiões como África, onde poucas pessoas têm uma conta bancária, sistemas de pagamento baseados em smartphones já são a forma preferida de compra de passagens. O Bitcoin seria simplesmente um upgrade para o status quo.

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Com este projeto, os viajantes não precisam de se preocupar com a volatilidade dos preços que teima em queimar os especuladores da moeda digital. As plataformas de e-commerce como o Bitnet podem converter bitcoins em moedas fortes quase instantaneamente. Na medida em que as companhias aéreas estão em causa, o Bitcoin aparece como um modo de pagamento mais barato, confiável e seguro de troca e não uma reserva de valor.
Para já não vale a pena ficar muito animado com a perspectiva de que será possível voar pelo mundo apenas com um smartphone pagando todas as despesas com Bitcoins. Pelo menos enquanto as grandes companhias aéreas derem o seu agreement e se comprometem com o conceito. No entanto, o mundo já tem uma pequena transportadora, Air Baltic, da Letónia, que aceita Bitcoin. A UATP diz que “alguns” dos seus maiores parceiros aéreos estarão interessados em fazer o mesmo, embora nenhum o tenha dito publicamente.